Uma porta amolgada no parque do Rio Sul ou um toque de carrinho de compras não tem de ir obrigatoriamente à pintura. Existe uma técnica chamada PDR, do inglês paintless dent repair, a que por cá se chama desamolgar sem pintura. O metal volta à forma original e a tinta de fábrica fica onde estava.
Não serve para tudo, e convém saber quando serve antes de pedir orçamento.
Como se faz
A chapa trabalha-se por dentro. Desmonta-se o que for preciso para chegar às costas da amolgadela, como o forro da porta, um farolim ou o forro do tejadilho, e com varetas de ponta arredondada empurra-se o metal aos poucos, com centenas de pequenos toques, até a superfície voltar a ficar lisa. Para ver o progresso usa-se uma lâmpada ou um painel com riscas que se refletem na pintura. Enquanto as riscas aparecem tortas, ainda há amolgadela.
Quando não há acesso por trás, puxa-se por fora. Cola-se uma ventosa ou um pino na zona amolgada com uma cola quente própria, puxa-se com uma ferramenta de tração e no fim a cola sai sem deixar marca.
Não leva massa, primário nem tinta. Daí ser mais rápido, e daí só funcionar em certos casos.
Quando dá
- A tinta está inteira, sem fissuras, lascas ou zonas levantadas. Esta é a condição principal.
- A amolgadela é suave e arredondada, como as que ficam de uma porta de outro carro, de uma bola ou de granizo.
- O metal não esticou. Se a chapa fica no sítio depois de empurrada, o PDR resolve.
- Há forma de chegar à zona, por dentro ou por fora.
As amolgadelas de estacionamento nas portas e nos guarda-lamas traseiros são o caso típico. O granizo também: um tejadilho com dezenas de mossas pequenas é exatamente o trabalho para que esta técnica foi pensada.
Quando não dá
- A tinta estalou ou saltou. Mesmo que o metal volte à forma, fica uma ferida na pintura que tem de ser tratada, e aí passa a ser bate-chapa e pintura.
- Há um vinco. Quando a chapa dobra em aresta, o metal esticou e não volta liso só com pressão. Dá para melhorar, raramente para ficar perfeito.
- A amolgadela está em cima de uma aresta ou de um friso da carroçaria. As linhas vincadas de fábrica estão entre as zonas mais difíceis de recuperar.
- A peça já foi reparada antes com massa. Ao empurrar a chapa, a reparação antiga estala.
- É um para-choques. Sendo plástico, o processo é outro e leva calor. Falamos disso na página de pintura de para-choques.
Porque vale a pena perguntar
Se o seu caso der para PDR, o carro mantém a pintura original, e isso conta mais do que parece. Quem compra um usado com cuidado passa um medidor de espessura pela carroçaria, e uma porta repintada aparece logo com mais camadas do que as outras. Uma porta desamolgada sem pintura não acusa nada.
Também deixa de haver diferença de cor para gerir, nem verniz novo ao lado de verniz com anos. A peça fica igual ao resto porque continua a ser o resto.
Como saber se é o seu caso
Pelas fotos já se percebe bastante. Tire uma de lado, rente à chapa, para se ver a profundidade, e outra de perto à zona da pancada, para se ver se a tinta estalou. Com isso dizemos-lhe se vale a pena contar com PDR ou se é melhor ir direto à reparação com pintura. A confirmação faz-se ao ver o carro, porque há fissuras finas que só aparecem com a luz certa.
Se der para tirar sem pintar, é essa a solução que lhe propomos. Se não der, explicamos porquê e o que a alternativa implica. O valor, num caso e noutro, é sob consulta depois de vermos o carro.
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