Este serviço tem um problema de marketing: ninguém sabe que existe até alguém lhe explicar. Ao contrário do polimento, que se percebe pelo nome, "descontaminação" não diz nada a quem nunca ouviu falar. Mas é provavelmente o serviço com melhor relação entre custo, rapidez e diferença real no carro.
O que está agarrado à sua pintura neste momento
Não é sujidade solta, é material incrustado no verniz:
- Partículas ferrosas — poeira metálica quente que salta dos travões (dos seus e dos carros à frente) e se crava no verniz, onde oxida. Em carros claros vê-se: são os pontinhos alaranjados que não saem por mais que se esfregue.
- Alcatrão — os pontos negros nas embaladeiras e atrás das rodas, mais comuns no verão e em estradas recém-alcatroadas.
- Poeira industrial — partículas em suspensão que se depositam e agarram. No concelho do Seixal, com a Siderurgia e a zona industrial de Paio Pires, é um contaminante mais presente do que a média.
- Resina e seiva — quem estaciona debaixo de pinheiros em Fernão Ferro ou na Verdizela conhece bem estes pingos que endurecem ao sol.
- Poeira de cimento e limalha — obras perto de casa são das piores coisas que podem acontecer à pintura de um carro estacionado.
Duas frentes, dois métodos
Química. Produtos específicos que dissolvem o que reage com eles. O descontaminante ferroso é o mais espetacular de ver: pulveriza-se transparente e ao fim de minutos escorre roxo, à medida que reage com as partículas metálicas. Quem assiste percebe imediatamente que aquilo estava no carro. Removedor de alcatrão para os pontos negros.
Mecânica. A clay bar, uma barra de argila técnica que desliza sobre a superfície bem lubrificada e arranca o que a química não dissolveu. Trabalha por aderência, não por abrasão — daí a lubrificação ser inegociável.
O antes e o depois é ao tato, não à vista
É a característica mais curiosa deste serviço: a diferença sente-se mais do que se vê. Uma pintura descontaminada fica lisa como vidro, e quem passa a mão antes e depois percebe logo. À vista, ganha-se limpidez de cor e desaparecem os pontos ferrosos, mas não espere a transformação dramática de um polimento — são coisas diferentes.
Aliás, há um efeito secundário comum: com a contaminação removida, ficam à vista riscos e swirls que estavam mascarados. Não apareceram agora, sempre lá estiveram. Mas é útil saber, porque é com essa informação que se decide se vale a pena avançar para correção.
Quando fazer
- Sempre antes de polir ou aplicar proteção cerâmica — não há exceções a esta regra
- Uma a duas vezes por ano como manutenção, mesmo sem outros planos
- Se o teste da mão acusar aspereza
- Depois de obras, de temporadas debaixo de árvores, ou de longos períodos sem lavagem
Preço
Varia com o tamanho do carro e o nível de acumulação. Um carro com manutenção regular é um trabalho rápido; um carro com dez anos sem nunca ter sido descontaminado é outra história. Ligue 919 060 257 ou peça orçamento com uma foto da pintura.
Um serviço que não se vende sozinho
Há uma ironia neste trabalho: é dos que mais diferença faz na saúde da pintura a longo prazo e dos que menos as pessoas procuram, precisamente porque o resultado não dá fotografias espetaculares. Um polimento tem antes e depois óbvio; uma descontaminação tem antes e depois que se sente com a mão. Por isso explicamos sempre o que estamos a fazer e mostramos o produto a reagir — quem vê a jante ou o painel a sangrar roxo percebe imediatamente que aquilo estava mesmo no carro.
O caso particular dos carros brancos e prateados
Nas cores claras, a contaminação ferrosa é visível a olho nu, sob a forma de pontinhos alaranjados espalhados sobretudo na traseira e nas zonas baixas. Muita gente pensa que é ferrugem do próprio carro e assusta-se. Não é: é ferro de outra proveniência agarrado ao verniz, e sai. Nos carros escuros esconde-se melhor à vista, mas está lá na mesma — nota-se ao tato.
Depois de descontaminar, proteja
Uma pintura acabada de descontaminar está limpa a sério e é o momento ideal para aplicar uma proteção, mesmo que simples. Sem nada por cima, a contaminação recomeça a acumular-se logo nas semanas seguintes; com uma camada protetora, as partículas têm muito mais dificuldade em cravar-se e a próxima descontaminação será muito mais leve.
Perguntas frequentes
A clay bar risca a pintura?
Não, se for usada com lubrificação abundante e técnica correta, que é como a usamos. O risco existe quando se trabalha com a superfície seca ou se continua a usar uma barra já saturada de sujidade.
Isto substitui o polimento?
Não, resolvem problemas diferentes. A descontaminação tira o que está agarrado por cima do verniz; o polimento corrige danos no próprio verniz. Muitas vezes fazem-se em conjunto.
Com que frequência?
Uma a duas vezes por ano chega para a maioria dos carros. Se estaciona debaixo de árvores, perto de zonas industriais ou em obras, o intervalo mais curto justifica-se.
Dá para ver a diferença em fotos?
Pouco. É um serviço que se sente ao tato mais do que se vê em imagem, ao contrário do polimento ou do restauro de faróis. A prova está em passar a mão pela pintura antes e depois.
Posso fazer eu com um kit comprado online?
Pode, com cuidado e lubrificante a sério. Os erros comuns são poupar no lubrificante e continuar a usar a barra depois de ela cair ao chão — nesse caso, deite-a fora, senão vai arrastar gravilha pela pintura.
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