A cena é sempre a mesma. Domingo de manhã, balde, champô, escova, e as jantes ficam a brilhar. Terça-feira já têm outra vez aquele tom cinzento escuro à volta dos raios. A conclusão a que quase toda a gente chega é que "a sujidade volta depressa". Não é bem isso: o que se vê ao fim de dois dias é sobretudo o que ficou lá da lavagem anterior.
O que é o pó de travões, exatamente
Cada vez que trava, as pastilhas esfregam contra o disco e libertam partículas. Não são pó de estrada, são fragmentos metálicos, e saem quentes. Muito quentes.
Uma partícula metálica incandescente que aterra numa jante não fica pousada à superfície. Amolece o verniz da jante o suficiente para se cravar nele, e quando arrefece está lá dentro, presa. A partir daí começa a oxidar, e é a oxidação que dá o tom acastanhado ou cinzento escuro que se instala mesmo em jantes lavadas com frequência.
Por isso é que lavar não chega. A escova e o champô levam a camada de cima, aquela que está solta. As partículas cravadas ficam onde estão, e continuam a escurecer a jante a partir de dentro.
O teste dos dois minutos
Lave uma jante como costuma lavar, deixe secar bem, e passe as pontas dos dedos pela face plana entre os raios. Se estiver áspera, como uma lixa muito fina, tem contaminação cravada. Se estiver lisa como vidro, está limpa a sério.
Faça o mesmo do lado de dentro da jante, se conseguir lá chegar. Vai encontrar bem pior, porque a face interior recebe mais pó de travões do que a exterior e quase nunca é lavada.
Descontaminar é outra coisa
A remoção destas partículas faz-se quimicamente. O produto reage com o ferro e dissolve-o, e o efeito é bastante teatral: passados uns segundos começa a escorrer roxo pela jante abaixo. Aquilo que escorre é o que estava cravado no verniz.
Só depois disto é que a jante está de facto limpa, e a diferença nota-se logo na cor, que fica mais clara do que o dono se lembrava. É também o momento em que se percebe o estado real do acabamento por baixo, que às vezes traz surpresas.
A parte que muda o resultado a prazo
Descontaminar deixa a jante limpa e desprotegida. Se não se fizer mais nada, o próximo pó de travões encontra verniz nu e crava-se com a mesma facilidade de sempre.
A proteção é o que quebra o ciclo. Aplica-se um selante ou um coating próprio para jantes, que aguenta o calor dos travões, ao contrário das ceras normais, que derretem e desaparecem em semanas. Com essa camada por cima, o pó passa a assentar em vez de se cravar, e sai na lavagem seguinte com champô e mais nada.
É aqui que a manutenção deixa de ser uma luta. Quem tem as jantes protegidas lava-as em dois minutos e elas ficam mesmo limpas.
Um erro que estraga jantes caras
Nunca aplique produto de jantes com elas quentes. Depois de uma viagem, o disco e a jante estão a uma temperatura que evapora o produto antes de ele reagir, e o que fica é uma mancha que às vezes não sai. Em jantes diamantadas ou polidas, isso pode ser dano permanente.
A regra é simples: jante fria, à sombra, e produto com tempo para atuar antes de se esfregar seja o que for.
No Seixal isto é pior do que a média
Quem faz o percurso diário de Corroios ou do Miratejo para a ponte trava centenas de vezes por dia dentro de filas. É o cenário que mais pó de travões produz, e vê-se nas jantes dos carros desta zona ao fim de poucos meses.
E se já ficaram manchas que não saem?
Manchas castanhas com anos de acumulação saem, na esmagadora maioria dos casos, com descontaminação. O que já não sai é corrosão que atacou o verniz da jante por baixo, e aí a conversa passa a ser de restauro. Pela foto percebe-se qual é o caso. Mande-nos uma para o 919 060 257.
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